sábado, 6 de outubro de 2018

Qui sont nos parents?

[Essayez de ne pas être émotif]




"Pris seulement par instinct, sans réfléchir une seconde, sur les conséquences, João et Maria font l'amour. Sur le bord du quai, elle reçoit en cruzeiros ou dollar pour ces moments intimes entre les quatre cloisons fissurés et mal revêtus d'un chambre à louer. Elle est la fille d'une famille de intérieur qu'elle visite d'année en année. Vos parents ne savent pas que votre chère Maria est une femme de vie. Pour eux, elle travaille dans l'un de ces romncys, jumbos ou samasas de la grande ville. Maria ne prend pas la pilule et sait qu'elle peut tomber enceinte. Elle sait également qu'une enveloppe contraceptive coûte un peu plus de 12 cruzeiros, mais ne prend. Vos "collègues" utilisent d'autres ressources pour éviter l'enfant, pas elle. Elle est tombée enceinte plusieurs fois et a eu plusieurs avortements. Maria doit "travailler" - est l'une des nombreuses "secrétaires de la bord de mer". Elle continue à faire l'amour: plusieurs fois par jour, des dizaines de fois par mois. Une fois de plus, elle découvre qu'elle est enceinte et que cette fois, il ne sera pas possible d'avorter. Qui l'a fait "perdu" une patiente et a dû se déplacer rapidement pour éviter d'être arrêté. De plus, l'anémie est profonde et le médecin a déconseillé d'intervenir extraire l'enfant dont elle ignore ou soupçonne le père. Tant peut être le majordome, le gardien, le guetteur ou le marin à la langage drôle qu'elle ne comprenait rien, mais elle savait ce qu'il voulait et payait en dollar. Elle savait seulement que cela venait d'un navire néerlandais chargé de moteurs. Au quatrième mois, elle est toujours recherchée par les johns, les raymonds, les freds et les williams. Après son ventre se soit déranger, elle perd les clients et commence à maudire le fils qui porte dans les entrailles. Un jour, elle commence à ressentir la douleur et se rend à la maternité où elle est traitée comme une indigent... et donne naissance à une belle fille à la peau claire, aux cheveux blonds et aux yeux bleus. Maintenant, elle sait qui est le père. Mais peu importe, ce qui compte vraiment, c'est ce qu'il faut faire avec l'enfant. Elle ne veut pas donner à qui que ce soit et dans le bordel, elle ne pourra pas créer - les pleurs vont gêner les clients et deviendront bientôt des prostituées. Entendu parler d'un certain prêtre Caetano qui possède une maison accueillant des mineurs pour les à proximité de Barra do Ceará. Prend un taxi et la laisserai avec Alzira - la "Maman" [Mãezinha], cette poupée qui ne saura jamais qui étaient vraiment leurs parents".

Le Père Gaëtan a accueilli plus de 200 enfants à risque social qui ont traversé la "Comunidade Infantil Cristo Redentor", qu'il a fondée au Brésil en 1969, en a adopté plus de 100, dont 46 environ ont reçu le nom de famille "Tillesse".

  • Source: QUI sont nos parents? ["Quem são nossos pais?"] Journal Tribuna do Ceará, supplément T.C Dimensão, Fortaleza, Brésil, p. 08, 1977(?)
  • Youtube en portugais (version originale narrée et éditée par le Frère Narcélio avec des images de SBT (Système Brésilien de Télévision):  https://www.youtube.com/watch?v=BTCPbcb2Dgs
  • 3ème bloc du Programme "Memória do Nordeste" - TV Diário 24/03/2017 (documentaire): https://www.youtube.com/watch?v=JS7Ej0JuIVY
Tout est dans le livre Um Monge Missionário (Un Moine Missionnaire: La vie et l'œuvre du Père Gaëtan Minette de Tillesse), original pour l'instant uniquement en portugais).
Ci-joint, des images extraites des journaux et archives personnelles:
















 

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Um bispo especial para a Nova Jerusalém e Padre Caetano

Na história das congregações religiosas, o papel dos pastores, sobretudo dos Bispos, é decisivo e fundamental. Eles devem não somente apoiar, mas promover carismas e ministérios na Igreja, sobretudo onde os mesmos pastoreiam, é o que rege os cânones 574, 576 e 579 de nosso atual Código de Direito Canônico. 

Na história do Instituto Nova Jerusalém não foi diferente. Sob o olhar e cuidado de alguns pastores, pudemos identificar o chamado específico de Deus para nossa situação concreta. Queremos aqui destacar uma figura discreta e não muito conhecida, mas que teve forte influência  na decisão de nosso Pai Fundador por Fortaleza, onde é sediada nossa Casa Mãe. 

Trata-se de um Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza no período em que Dom José de Medeiros Delgado (1905-1988) era o Bispo titular desta Igreja local, que nos pastoreou de 1963 a 1973. Foi um período de grande avivamento espiritual para a vida religiosa.


Dom Gerardo de Milleville
Mural da Cúria Metropolitana de Fortaleza
(Seminário da Prainha)

Dom Gérard Paul Louis Marie de Milleville, CSSp. 
Conhecido entre nós como Dom Gerardo


Nasceu aos 27 de maio de 1912 em Londinières, França. Entrou para a Congregação dos Missionários do Espírito Santo (Espiritanos) e foi ordenado diácono na Capela do Seminário das Missões, Paris, aos 02/07/1939 com a idade de 27 anos, sendo ordenado presbítero aos 26/08 daquele mesmo ano na Abadia de Langonnet, localizada na Diocese de Vanne, França. Foi nomeado vigário apostólico de Conakry, Guiné, e bispo titular de Dalisandus, Panfília, pelo Papa Pio XII aos 08/05/1955. Em 10/03/1962 renuncia ao encargo, pois em Guiné, após a supressão dos movimentos da Ação Católica em 1959, as escolas privatizadas são nacionalizadas em setembro de 1961, vindo ele a ser expulso do país em decorrência de vigorosos protestos. Foi, então, nomeado Arcebispo titular de Gabala, Síria, em 10/03/1962. Após isso, foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza de 1964 a 1974. Em 1968 foi nomeado administrador apostólico de Basse-Terre, nas Antilhas. Faleceu em Antony, Diocese de Nanterre, França, aos 12 de janeiro de 2007. Piedosamente descansou aos 94 anos como arcebispo emérito de Conakry. 

No período em que Dom Gerardo atuou em Fortaleza, Padre Caetano estava refletindo sobre a possibilidade de uma nova fundação de seu mosteiro belga de Orval, mas agora inserida no meio dos mais pobres, possivelmente na América Latina. Assim como a congregação de Dom Gerardo tinha um apreço e elo para com a África, o mosteiro Cisterciense de Orval foi refundado por monges franceses que estavam refugiados em Tremembé/ SP, Brasil, de 1904 a 1931, no que eles chamaram de "Trapa Maristela", a antiga Fazenda das Palmeiras, desativada desde 1888 com a promulgação da Lei Áurea.  

De agosto a dezembro de 1967, Padre Caetano é autorizado, juntamente com outro colega monge de Orval, Padre Norberto Gorrissen, a fazer um treinamento para essa experiência no Brasil, que aconteceu no recém fundado COPAL (Colégio para a América Latina), da Universidade belga de Louvaina. 
[O COPAL] Devia acolher seminaristas belgas, como também de países vizinhos ou mesmo latino-americanos, enviados por bispos, como Eugênio Salles e José Távora, bem relacionados com a JOC [Juventude Operária Católica] belga. (...) A pedido do Papa Pio XII, as dioceses belgas colocaram como Fidei Donum padres belgas à disposição dos bispos latino-americanos. Entre 1955 e 1983, partiram para o Brasil 115 padres, dos quais 67 belgas. (...) Em 1970, Helder Câmara, bem relacionado com o cardeal belga Suenens, recebeu em Louvaina um doutorado honoris causa, pregando um outro 'socialismo humano'. Seguiram mais doutorados para Paulo Freire em 1975, Oscar Romero em 1980, Aloísio Lorscheider em 1982 e Jon Sobrino em 1985.
Brasil e Bélgica: cinco séculos de conexões e interações / organização Eddy Stols, Luciana Pelaes Mascaro, Clodoaldo Bueno. – 1. ed. – São Paulo: Narrativa Um, 2014. p. 176-177.

Exatamente em 1967, Dom Eugênio Salles, então Arcebispo de Salvador/ BA, solicita ao Padre (hoje bispo emérito do Rio) Josef Romer, que se dirigisse à Universidade de Louvaina em busca de um professor de Bíblia para a Universidade Católica de Salvador. Os contatos do Brasil com Padre Caetano vão se fortalecendo. O Arcebispo de Fortaleza, Dom José Delgado, foi o ministro que sagrou bispo Dom Eugênio em 1954, seu grande amigo. Coincidência ou providência? 

Sabendo de Padre Caetano (Georges, no religioso), imediatamente Dom Gerardo o escreve:
Meu Reverendo Padre, 
Sou um bispo francês pertencente à congregação do Espírito Santo e depois de ter trabalhado 20 anos em Guiné, onde eu era arcebispo de Conakry, vim para Fortaleza, e o arcebispo me encarregou das congregações religiosas. Durante a última reunião dos bispos do Nordeste, ou seja, Ceará, Piauí e Maranhão, fui instruído a buscar uma congregação de vida contemplativa que poderia se instalar na região. O intuito dos bispos era ajudar os sacerdotes e eles pensam numa casa para os padres dedicada à oração e ao estudo, pode ser de grande ajuda no sentido de incentivar a reflexão e receber aqueles que precisam de orientação. 
O Padre Espinay [Salvador/ BA] veio aqui e eu falei a ele desse projeto. Ele me deu seu endereço e outras informações sobre você e outros sacerdotes de sua abadia. O objetivo desta carta é para dizer-lhe que nos interessa muito vos receber aqui. Eu vou fazer uma reunião com um padre francês e responsável da pastoral e em poucos dias vou escrever-lhe o resultado da reunião. Eu sempre pensei que precisávamos de contemplativos aqui e não há nenhuma ordem na região; e mais no Brasil alguns contemplativos são tentados a tomar paróquias.  
O Ceará é um estado privilegiado pelo recrutamento de clero; atualmente há uma crise, como em outros lugares, mas isto é onde podemos fazer os serviços mais amigáveis com a simpatia do clero brasileiro. Fui muito bem acolhido, embora eu não soubesse o português e já tivesse 51 anos! Tenho certeza que a região vos interessaria por sua experiência e desejo que a providência vos traga um dia ao Ceará.  
Em breve outra carta. Os melhores sentimentos em Cristo. 
+ G. de Milleville
MILLEVILLE, Dom Gérard de. [CARTA] Fortaleza, Brasil, 23 ago. 1967 [para] MINETTE de TILLESSE, Pe. Georges. Orval, Bélgica. [Tradução nossa].


Em resposta à carta de Dom Gerardo, Padre Caetano fica empolgado, e afirmou ver naquilo Un signe du Seigneur ("Um sinal do Senhor"), enquanto que haviam outras possibilidade de pastoral para o Padre no Brasil: Rio, São Paulo, Recife, Salvador, São Luís etc. Em 1968, após uma temporada de oito meses no Mosteiro de São Bento em Salvador, onde pôde lecionar na Universidade Católica e fazer pastoral com os pobres na Favela do "Pau Miúdo", ele e Padre Norberto decidem em 20 de novembro daquele ano trabalhar e morar em Fortaleza, precisamente numa das maiores favelas da América Latina à época, o grande e sofrido Pirambu (hoje Cristo Redentor). 

Inicialmente, os padres Caetano e Norberto não pensavam em assumir paróquia, visto que essa atividade é “estranha” ao estilo tradicional da vida monástica cisterciense. Eles planejavam inaugurar com o Arcebispo de Fortaleza um centro de reflexão e aprofundamento humano e cristão. Para isso, foi pensada a Reitoria São Judas Tadeu, localizada no Bairro São Gerardo. Mas acontece que, no mesmo dia que Padre Caetano chegou a Fortaleza (22/11/1968), ele foi informado que o bairro pobre do Pirambu estava sem padre desde a retirada de Padre Hélio Campos, ocorrida em julho daquele ano. Os dois monges refletiram e rezaram juntos, porque de outro lado, estava sua preferência pelos mais pobres que pretendiam realizar, vendo ali o apelo de Deus na hora exata. Apresentaram-se, então, ao Arcebispo e ao Padre Hélio no dia 07/12, instalando-se um dia depois numa casinha da Comunidade São José dos Arpoadores (hoje sede do Instituto Nova Jerusalém). 
LIMA, Narcélio Ferreira de. (Org.). Um Monge Missionário: Vida e Obra de Pe. Caetano Minette de Tillesse. Rio Bonito: Ed. Cenáculo Universal,  2016, p. 117.


O Espírito Santo o queria mesmo nas "Areias do Pirambu"... E graças a ação desse Espírito, com a colaboração de um missionário Espiritano, tivemos conosco nosso "Monge Missionário". 



terça-feira, 1 de maio de 2018

O sentido da RCC para a Igreja do Terceiro Milênio

Por Padre Caetano Minette de Tillesse
Discurso durante a comemoração do jubileu de prata da RCC de Fortaleza
Colégio Marista Cearense, Fortaleza/CE, junho de 2000.
Em tom coloquial.
__________

TEMOS QUE EVANGELIZAR DE UM JEITO NOVO!

Eu quero falar da evangelização do terceiro milênio, ou seja, uma nova evangelização. Este é um assunto muito amplo, emergente e por demais urgente, que a gente não pode omitir de maneira alguma. Estamos começando agora o terceiro milênio. Estamos dizendo que temos de evangelizar. O Papa diz que tem que ser uma nova evangelização. Mas, o que é essa nova evangelização? O que é isso? É só lançar o balão? Vamos continuar naquele mesmo "lenga-lenga" em que estamos? Dois mil anos de evangelização e o balanço foi largamente negativo. Dois mil anos de evangelização! Portanto, pensemos aqui, depois dos primeiros tempos, a Igreja caiu praticamente no constantinismo, a igreja de Constantino, que continuou com essa visão da cristandade que tínhamos até bem pouco tempo aqui no Brasil. Portanto, uma certa visão do cristianismo. Hoje em dia essa visão não satisfaz mais. O Papa [João Paulo II] pediu perdão por muitas coisas que tinham sido feitas nessa ótica. Aqui no Brasil estamos celebrando com muita exuberância, não sei, os quinhentos anos de Evangelização. No Brasil e na América Latina em geral. É um triunfo ou um mea culpa? O que é que é? Sabemos que os que quiseram celebrar foram barrados por manifestantes que ficaram protestando. Talvez, por causa do "triunfalismo". Estamos agora na beira, na soleira do terceiro milênio e já estava na hora de começar uma nova evangelização. Qual? Continua do mesmo jeito? Aquele mesmo "lenga-lenga"? Qual é essa nova evangelização? Aqui se programou falar dos vinte e cinco anos da Renovação Carismática em Fortaleza. Para mim, isso é apenas um episódio dentro de um programa muito amplo.


EVANGELIZADORES CONSCIENTES

Não se pode nunca perder a visão do conjunto, senão a gente cai no sentimentalismo e perde de vista o objetivo do que estamos fazendo hoje: nos prepararmos para uma NOVA EVANGELIZAÇÃO! Pois essa evangelização do terceiro milênio só pode ser feita por evangelizadores adultos na fé, conscientes do que está acontecendo. E a gente sabe que a contestação até agora permanece. E a gente não pode deixar ou ignorar, simplesmente. Portanto, é bom ver do que se está falando aqui em Fortaleza. Temos confrontos entre a RCC e a Teologia da Libertação, e o questionamento é muito parecido. A RCC canta "Amém, aleluia", o que dá mais raiva à Teologia da Libertação. E a Teologia da Libertação diz a mesma coisa com uma letra só de diferença: "Amém, ale-Lula". O certo é que, "Aleluia" ou "Ale-Lula", atrás dessas letras tem um programa totalmente diferente. De uma parte, portanto, um partido militante que quer derrubar o governo, se revolta contra a situação e quer promover uma revolução. E, da outra parte, “Amém, Aleluia" que pode ser, simplesmente, pessoas adormecidas que tem sua consciência tranquila e nem sabem o que acontece ao seu redor. Gosto muito desse texto do profeta Amós, capítulo 6, 4-6:

Eles estão deitados em leitos de marfim, estendidos em seus divās, comem cordeiros do rebanho e novilhos do curral. Improvisam ao som da harpa como Davi, inventam para si instrumentos de música; bebem crateras de vinho e se ungem com o melhor dos óleos, mas não se preocupam com a ruína de José. Por isso, agora eles serão exilados a frente dos deportados e terminará a orgia daqueles que estão estendidos.


Portanto, Amós está aqui falando da ruína de Samaria e está mostrando a inconsciência daquele povo que está passando bem, festejando. E pode acontecer que estamos passando essa mesma impressão para Teologia da Libertação que fica só censurando, e a Renovação Carismática: "Amém aleluia” e está tudo bem. Está tudo bem mesmo, será? Portanto, é bom pensar como é que está andando este mundo. Para a Teologia da Libertação, a Renovação Carismática é omissa. Os problemas acontecem, injustiças avassalam o mundo, bilhões de pessoas passam fome e a pessoa canta "Amém, aleluia!". Como pode? Como disse Karl Marx, como se chama isso? "Ópio do povo". Esse ópio do povo, qual é? A Teologia da Libertação vai dizer: quem não é contra o regime, apoia o sistema vigente, é cúmplice. O problema não é tão simples nem barato assim. A gente não pode simplesmente se omitir. Se tem uma nova evangelização para o terceiro milênio, essa nova evangelização tem que ser uma evangelização C-0- N-S-C-I-E-N-T-E!

NAQUELE TEMPO

E aqui queria tomar, não dá para se estender muito, apenas três pontos, três exemplos sobre essa crise que acontece no decorrer da história . Acabei de citar Amós e tenho ainda dois trechos: um de Jeremias e um de Ezequiel. Jeremias 31,31-34, mais a nível de Renovação Carismática:

Eis que dias virão - oráculo de Yahweh - em que selarei com a casa de Israel (e com a casa de Judá) uma aliança nova". (é a nova evangelização da qual estou falando) “Não como a aliança que selei com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para fazê-los sair da terra do Egito - minha aliança que eles mesmos romperam, embora eu fosse o seu Senhor, oráculo de Yahweh. Porque esta é a aliança que selarei com a casa de Israel depois desses dias, oráculo de Yahweh. Eu porei minha lei no seu seio e a escreverei no seu coração. Então eu serei seu Deus e eles serão o meu povo. Eles não terão mais que instruir seu próximo ou seu irmão, dizendo: "Conhecei a Yahweh!" Porque todos me conhecerão, dos menores aos maiores - oráculo de Yahweh - porque vou perdoar sua culpa e não me lembrarei mais de seu pecado.

Esse trecho é muito importante no momento da ruína de Samaria e da ruína de Judá, de sua Jerusalém, destruídas por assírios e babilônios, respectivamente. Portanto, aqui fechou mais uma página, terminou mais uma fase da história do povo de Deus, não da história de Israel, mas do povo de Deus! Isto será exemplar, pois eles receberam uma lei que os profetas, Moisés e demais aqui citados viveram aquela expectativa e depois tudo acabou num fracasso total e irreversível. Nabucodonosor acabou com tudo. Chegou, arrasou Jerusalém, acabou com a cidade, desterrou o povo e deu fim a realeza. Acabou o templo, acabou o culto de Yahweh, acabou tudo e foram levados lá para a Babilônia, para o exílio. Este é, portanto, o balanço daquele tempo.


E EM NOSSOS DIAS?

Estamos falando agora de evangelização do terceiro milênio. Porém, temos que fazer também um balanço. Dois mil anos de evangelização e aonde é que chegamos? Televisão, experiências, homem na lua, conquistas espaciais, progresso deslumbrante e... onde que estamos? Qual o nosso resultado? Penso que chegamos a um fracasso total. Exatamente o contrário daquilo que estávamos esperando. E agora que se arrasou com tudo, qual foi a consequência disso? De parte, a criatividade dos homens que chegou a um fracasso total. Portanto, não tem outra solução, senão deixar que Deus mesmo agora tome de conta. Como? Renovar o coração do homem por dentro. Jeremias fala também de uma nova experiência. A Renovação Carismática não é uma nova experiência, uma novidade. A RCC é uma redescoberta de uma coisa muito antiga. Redescoberta dos fundamentos da nossa vida no Espírito que estavam esquecidos durante muitos anos, muitos séculos. Estamos tomando consciência daquilo que era essencial no cristianismo nascente e que tinha sido esquecido por conta do ativismo humano. Aqui, portanto, neste trecho de Jeremias que, comparado com Ezequiel 36, vemos que os dois dizem quase a mesma coisa, detalhado mais um pouco. Portanto, tanto em um como em outro, Deus anuncia primeiramente o perdão dos pecados. O Papa pede perdão dos pecados da evangelização de 2000 anos. Aqui na América Latina, os bispos pediram perdão dos erros da evangelização de 500 anos que os homens fizeram chegar ao fracasso. Aonde foi que chegamos com essa evangelização de 2000 anos? A duas grandes guerras mundiais. Nunca havia acontecido em toda a história da humanidade. A guerra de 1914, a de 1918 e a guerra de 1940 a 1945 e, além disso, o holocausto do povo de Deus, dos judeus, durante esta última guerra, na Polônia, nos campos de concentração. Depois da primeira guerra mundial, a Alemanha, que foi baluarte dessas duas guerras, ficou no centro. Houve aquele desastre e então os protestantes (a Alemanha é protestante) e, em particular, Karl Barth, teólogo suíço de língua alemã, e Rudolf Bultmamm, pensaram numa nova teologia, uma nova evangelização e nova ideia de um Deus transcendental: o homem é pecador e não pode aproximar-se de Deus. Deus é totalmente diferente. Cria-se, assim, um abismo entre Deus e a humanidade. Até então, existia uma teologia liberal, que negava tudo, não aceitava mais nada. Uma teologia que era consequência do modernismo, do mundo moderno. Portanto, essas duas guerras, cada guerra marcou, realmente, o fim de um mundo. A segunda guerra marcou o fim, em particular, do colonialismo. Porquanto, se nota que a evangelização que houve até agora foi muito falha. Por que muito falha? Porque do tipo colonial.


É IMPORTANTE OLHAR PARA A HISTÓRIA

Depois da segunda guerra mundial houve outra reação parecida que se chama Concílio Vaticano II. O Concílio: a Igreja que parou para pensar. Esse Concílio, como é que foi chamado? O Papa João XXIII chama de "aggiornamento". Que quer dizer? Vamos modernizar a Igreja, fazer uma nova pintura, pinta aqui, faz uma limpeza ali? Só isso resolve o problema?
"Aggiornamento" é uma coisa mais radical. E, realmente, eu estava esperando que houvesse um novo Concílio na Igreja para a passagem do milênio e não houve. Falava já aqui, portanto, que a Igreja, por mais de mil anos, foi uma Igreja constantinista, do tipo Constantino, imperador romano que se converteu. Portanto, marcada pelo imperialismo romano que o mesmo unia e quase confundia o imperador e a Igreja. O Papa coroava o imperador e o imperador protegia o Papa, era o braço forte, o braço militar do Papa. Até que os protestantes acabam com isso. Revoltam-se contra o Imperador e consequentemente contra o Papa. Os dois se apoiavam um ao outro. E aí quebraram, mas não colocaram nada no lugar finalmente. Assim também, depois dessa segunda Guerra Mundial, acabou o colonialismo pelo mundo inteiro. Será que acabou? Não sei se acabou. É bom a gente pensar nisso com os olhos bem abertos. Mudou de nome. Quem foi que acabou com o colonialismo? Naturalmente, a guerra na Ásia, em particular, os japoneses, acabou com todas as colônias europeias na Ásia. Na África, quem foi que acabou com o colonialismo? Foi os Estados Unidos. Por que? Porque para os Estados Unidos o fluxo cultural e econômico que predominava entre a colônia e a metrópole impedia a dominação comercial, econômica, por parte do mesmo por todo o mundo, não favorecia a globalização. Portanto, hoje o colonialismo mudou de nome. No lugar do colonialismo político ligado a diversas metrópoles (França, Itália, Bélgica, Portugal, Espanha etc.), temos um colonialismo econômico sob o imperialismo dos Estados Unidos.. É melhor ou pior? Não sei. De qualquer jeito é importante a gente não ficar inocente na história.


SE NÃO TRABALHAR O CORAÇÃO DO HOMEM NADA SERÁ FEITO

O Papa [Joaõ Paulo II] e os bispos em Medellin e Puebla falavam, portanto, nos mecanismos. Isso é muito importante, essa palavra: m-e-c-a-n-i-s-m-o-s. Mecanismos que fazem um punhado de ricos cada vez mais ricos à custa de bilhões de pobres cada vez mais pobres. A gente está sabendo disso, não está? É para ficar simplesmente do "Amém, aleluia"!? Às vezes é bom pensar para não esquecer de ser profetas nesse mundo e ao mesmo tempo ser adultos, não ser bobinhos, não ser crianças levados para a propaganda internacional e pelo lucro de alguns. Portanto, hoje em dia o que se chama de Nova Evangelização é um problema muito sério. Essa Nova Evangelização quem é que vai fazer? É o Papa que vai evangelizar? O Papa é muito corajoso, se mete em toda parte, visita todos os países. Quem é que vai fazer essa Nova Evangelização. Os padres? Para mim a Nova Evangelização eu vejo os leigos em particular. Acho que os leigos chegaram à idade adulta, Não apenas um rebanho que os padres ficam levando pra lá e pra cá ou que ficam cantando simplesmente "amém aleluia". Portanto, é importante pensar como adultos no quê que é esta Nova Evangelização. Não podemos deixar de evangelizar e pensar também quem é que vai evangelizar. Será que somos melhores que nossos pais? Somos melhores que eles? No entanto, como diz Jeremias e Ezequiel, quem que pode evangelizar? Como nos revela o Livro dos Atos dos Apóstolos: nos mais o Espírito Santo. Nós sozinhos não tem jeito não. Nós mais o Espírito Santo. Portanto, a gente pensar como é que pode evangelizar é essencial. A RCC me parece muito diferente, que é movimento diferente. A Teologia de Libertação o que é que é? Praticamente a extensão daquelas células comunistas que vêm incentivar, fomentar pelo mundo a revolução violenta. Que revolução é essa? É a revolução de cunho socialista ou comunista. O que é isso? É a salvação do mundo? É outro projeto dos homens e, os projetos dos homens, até agora, fracassaram. Colocar outro projeto dos homens no lugar será que resolve o problema? A revolução comunista socialista já fracassou na Rússia, já fracassou, portanto, no mundo inteiro. Vamos tentar ressuscitar o cadáver da revolução comunista ou será que Deus pode inventar outra coisa? É importante saber em que está baseada uma revolução. A revolução comunista está baseada em quê? Na luta de classes. Portanto, no ódio. É a outra classe que está explorando e excluindo aquela outra classe o mundo vai voltar à prosperidade. Será? Um sistema político resolve o problema? É sempre obra dos homens. A Bíblia chama isso de ídolo. O ídolo é sempre obra dos homens, fabricado pelas mãos de homens. Pode ser um bezerro de ouro, pode ser o comunismo, pode ser o capitalismo. Sempre um ídolo fabricado por mãos de homens, e aquilo que é fabricado por mãos de homens não responde à problemática do homem. Por que não resolve? Porque não é aquilo que vem de fora que contamina o homem, mas aquilo que vem do coração. É no coração do homem que nasce todo mal que aflige a humanidade. Se não trabalhar o coração do homem nada será feito.


UMA QUESTÃO MUITO ANTIGA

Portanto, aqui estamos vendo esta perspectiva, inclusive isso já acontecia lá em Israel. Não é de agora essa discordância entre Teologia de Libertação e Renovação Carismática. Isso está existindo agora em Fortaleza, mas isso já existia antes de Jesus Cristo vir ao mundo, no judaísmo. Podemos ver isso no livro dos Macabeus, no Antigo Testamento.
Era a Teologia da Libertação naquela época. Eles achavam que deveriam empunhar as armas, enfrentar, jogar os inimigos para fora. Outro exemplo. Os partidos violentos do tempo de Jesus Cristo. Tinha os sicários, os zelotas, que achavam que podiam botar os romanos para fora. Inclusive, por quê que Jesus foi condenado? Por quê? Porque não quis fazer a revolução violenta. Na hora que multiplicou os pães, aquilo tudo, o pessoal estava todo já se organizando para ir atrás dele para marchar sobre Jerusalém e jogar os romanos para fora. Jesus disse: Não é bem assim não. Não adianta tirar os romanos fora. Aparece logo outro tirano pior do que o primeiro. Se você não muda, se Deus não muda o homem por dentro, nada feito. Se não transformamos o coração do homem, nada feito. É importante também saber que existia outro partido naquele tempo, os piedosos, os fariseus, que também entravam em choque com Jesus. Eles achavam que deviam esperar uma manifestação, uma intervenção milagrosa de Deus. Jesus, o que foi que ele fez? Nenhum nem outro. Por isso que não foi entendido por ninguém. Naquele tempo, que eu estava ativo na RCC, 1975, o Padre Eduardo [Dougherty] me pediu lá em Campinas para escrever um livrinho, pois eu tinha acabado de dar uma palestra sobre esse assunto “A Teologia da Libertação à Luz da Renovação Carismática". Padre Eduardo praticamente me sequestrou. Disse-me: "O senhor fica preso aqui e daqui não sai". Fiquei dia e noite lá em Campinas e em três dias saiu este livrinho. Depois foi ampliado e compilado numa nova edição na forma dessa eclesiologia da Nova Jerusalém. Foi, portanto, lançado aqui na Nova Jerusalém um volume mais amplo sobre o mesmo assunto. Mas então, como foi resolvido este confronto? Esta solução no Antigo Testamento o povo só esperava a libertação de Deus e por isso que a gente pode dizer que o Novo Testamento não veio preencher a expectativa do Antigo Testamento. O Novo Testamento fica repetindo o tempo todo que vai realizar as promessas do Antigo Testamento. Os judeus, que escreveram o Antigo Testamento, não reconheceram em Jesus, aquele que vinha realizar suas esperanças e até agora estão esperando outro. Portanto, a maneira de Jesus realizar essa promessa, essa esperança essencial de Israel, deveria ser uma maneira diferente. E até hoje não é fácil de resolver. Que quis dizer o Karl Marx, que era judeu? Que a solução cristã é uma alienação. Qual é a solução cristã? Jesus Cristo, o Filho de Davi, o Libertador. Como foi que libertou Israel? Condenado, crucificado na cruz. Bofetada em Israel! Escândalo para Israel! Como é que podia? E a negação de toda a esperança de Israel! E os cristãos dizem: "Não, mas ele ressuscitou!'. Escarnecem os judeus: "e ainda arranharam uma cadeira azul bem pintadinha para ele lá no céu!". É o que eles dizem: "Ópio para o povo. Aqui pra terra não tem solução. Depois se arranha uma cadeirinha bem bonitinha lá nos sonhos. Sonho interior como um nenezinho que fica vivendo entre dois sonhos: o paraíso primeiro, que foi perdido no tempo de Adão, e o novo paraíso, mais bonitinho, que é esperado para depois. E, enquanto isso, 'amém, aleluia' e esquece de viver". Só que temos condição de contar com esse povo que sonha para construir um mundo novo.


A NOVA EVANGELIZAÇÃO É UMA NOVA CRIAÇÃO

Quê que é nova evangelização? É só falar ou é construir um mundo novo? Assumir, portanto, que a Palavra de Deus faz o que ela diz. A Nova Evangelização é, portanto, uma nova criação que aparece e que se realiza agora pelo poder de Deus e pela nossa fé. Não temos o direito de ser apenas criancinhas inconscientes. O quê tem que acontecer? Tem que ficar com os pés no chão, saber o quê que acontece. Não se enlevar como bobos da história, não se aceitar como vítimas da história, mas assumir-se como aqueles que fazem a história. Portanto, a gente tem que ser consciente. Ter uma fé profunda em Deus. Aquela fé essencial, fundamental em Deus. Por isso, para mim a RCC é super importante. A RCC trouxe Jesus Cristo de volta do céu para a terra. Jesus Cristo, aonde é que ele está? Está aqui em nosso meio. Nós somos as pernas, os braços, os olhos, a boca de Jesus Cristo. Jesus Cristo somos nós. Nós somos o corpo de Cristo ressuscitado, cheio do poder dele, da força dele, da palavra dele. É pronunciar com autoridade mesmo essa palavra criadora que transforma o mundo hoje. Portanto, essa RCC é uma coisa importantíssima e que não pode ser portadora apenas de uma coisa sentimental, psicológica. O Padre Caetano é conhecido, às vezes, como aquele que faz exorcismo. Eu não gosto tanto disso não. Por quê, para mim, o quê que isto representa? Representa o alívio psicológico. O que é isto? A pessoa está com um problema, com uma depressão e quer, portanto, encontrar alívio psicológico. Será que é para isso a RCC? Bom, entre outros, pode ser. Mas, é secundário. Não é essencial. Nós somos o corpo de Jesus, os braços, a boca de Jesus. Temos como fundamental a missão de evangelizar nessa hora e, às vezes, a gente está com muitos problemas psicológicos, por quê? O quê que é problema psicológico? É problema de ordem individual, é individualismo. Para sair do problema individual o quê que é preciso? Abrir os olhos, ver o irmão, ver o outro que está, talvez, com um problema muito maior do que você. Esquecer seus próprios problemas, pensar no irmão. Assim, a RCC não é apenas uma coisa psicológica onde você se sente bem, se sente aliviado. É uma coisa muito mais séria e profunda mesmo. Aqui estamos vendo, na nova evangelização, onde é que vamos caminhar e realizar nossa tarefa..

A EMINÊNCIA DA PALAVRA DE DEUS

Nessa perspectiva, para mim, essa nova evangelização só pode nascer da Palavra de Deus. Portanto, essa nova evangelização não é só uma moda. Teologia e demais são moda dos homens. Os homens que fazem teologia, filosofia... isso passa. Mas, a Palavra de Deus não passa. Por isso é que fundamos aqui em Fortaleza uma nova congregação religiosa que tem como missão especial o estudo aprofundado da Bíblia, mas que também vai fazer cursos nas diversas paróquias e comunidades onde estão convidados, segundo a possibilidade, para aprofundar o conhecimento da Bíblia. Eu acho que é o conhecimento da Bíblia mesmo, aprofundado, crítico, científico. Não é um conhecimento apenas edulcorado, barato, açucarado, piedoso. Não é isso não. É conhecimento rigoroso mesmo. Que seja capaz de responder, frente aos desafios desse mundo, as objeções, as dificuldades. Pensemos, finalmente, qual foi, qual é esse plano de Deus, o que ele está fazendo dentro desse mundo. Está tirando um feriadão de final de semana? E Jesus Cristo, está tirando um feriadão de final de semana? Por isso a gente sempre recomenda a leitura integral da Bíblia, de ponta a ponta, da primeira até a última página. Para procurar perceber o fio de "arame": que Deus está fazendo do primeiro Adão, o Adão de carne, pecador, até o último Adão na Nova Jerusalém, o Adão espiritual, ressuscitado. Esse é o plano de Deus. E como a gente pode conhecer esse plano e nele entrar? Por isso o que estamos fazendo na Nova Jerusalém é procurar aprofundar quem quiser. Jesus Cristo diz uma coisa que eu acho super importante: na Bíblia, não é em toda parte que se vê. O mundo inteiro, bilhões de homens que andam ao léu, como rebanho sem pastor. Mas, o que diz a Bíblia também? Em várias páginas, não em todas as páginas: por causa de um homem, uma mulher que teve conhecimento e se aplicou, que se dedicou a conhecer o plano de Deus. Por seu conhecimento, Daniel etc, o mundo inteiro, vai ter uma luz, um farol para dizer pra onde andar. O que Jesus está querendo? Por causa de um homem que tem inteligência e que percebeu o que Jesus está querendo fazer dentro deste mundo. Tem que ser consciente, com os pés no chão, saber o que acontece dentro deste mundo.


O GRANDE DESAFIO


Neste mundo que vai ao léu, o pessoal perdeu o controle mesmo. Dentro deste mundo são bilhões de homens, é protestante, é muçulmano, é ateu, é tudo. Por causa de um homem e de uma mulher que se acordou e diz: “Eu vou dar minha vida para que o mundo possa conhecer a Luz". Por causa de um justo o mundo inteiro pode ser salvo. Isso é o que fez Jesus e continua chamando hoje em dia: "Quem se acorda, quem escuta a Palavra de Deus?". Por causa de um homem, de uma mulher, o mundo inteiro, bilhões de homens, acharão o farol que passa a iluminar seus passos e o mundo inteiro pode ser salvo por causa de um homem e de uma mulher. Por causa de um justo Deus vai poupar o mundo inteiro, o mundo inteiro! E daí a importância de se acordar, de se despertar. É lógico que é necessário mesmo estudar, é o jeito. Além de estudar é essencial à RCC ser inspirada por Deus, pelo Espírito Santo, porque aonde o espírito do homem pára, começa o sopro de Deus que carrega o homem. E ele conhece a profundidade de Deus e pode nos ajudar a entender aquilo que o homem não entende. Estamos na soleira do terceiro milênio e temos aquela responsabilidade tremenda. Esse Novo milênio não é apenas continuísmo. É um novo começo absoluto. O Papa pediu perdão e os Bispos também. Vocês aqui. Vocês não, quem são vocês quem sou eu! Vocês mais o Espírito Santo. Vocês têm uma tarefa urgente, urgentíssima de inventar uma nova maneira, a custo de suas vidas, de evangelizar esse mundo. Para que o mundo inteiro não se perca, mas encontre a luz de Deus, a alegria da Salvação, a força da Ressurreição, o poder do Espírito Santo que é capaz, mais uma vez, de transformar, de transfigurar o mundo inteiro à imagem de Cristo Ressuscitado, para fazer dele essa Nova Jerusalém que estamos todos aguardando. Amém!

Pe. Caetano M. de Tillesse (1295-2010)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Padre Caetano nos veio em silêncio e nos deixou em silêncio

Entrevista com Ir. Narcélio sobre os últimos minutos do Padre Caetano




1.  Antes da enfermidade o que padre Caetano mais pedia?

Pedia sempre que nos aprofundássemos no estudo das Sagradas Escrituras, que fôssemos fiéis à nossa consagração, que não tivéssemos medo... – isso era sempre tema de homilia nas nossas missas conventuais. – Bem antes de falecer ele foi deixando tudo em ordem. O demais ele partilhava com os superiores.

2. Como foi para você acompanhar toda essa enfermidade?

Foi um momento de purificação! Doloroso, de fato, mas de paciência e necessariamente de confirmação da minha vocação e, com certeza, de todos os irmãos e irmãs. Foi algo novo, pois nunca havia cuidado de idoso nesse estado, eu o via como criança naqueles momentos, dependente de nossos cuidados. Foi uma aventura que jamais esquecerei, eu me entristecia apenas pelo fato de não ter podido ouvi-lo mais e ter convivido mais com ele, porém, feliz por ter compartilhado esses seus últimos dias. O que mais me surpreendia era sua fortaleza, era divinamente sobrenatural. Somente exprimia um pequeno “ai” quando cuidávamos de suas feridas ou quando, de duas em duas horas, o deslocávamos de posição devido à circulação sanguínea.

3. Tinha alguém a quem mais ele obedecia, escutava na casa?

Durante a sua enfermidade ele costumava ouvir mais os mais velhos, quanto a nós, mais jovens e recém-chegados, costumava apenas observar e dizer, quando queria fazer algo: “Ajuda aqui filinho(a)!”, era a frase que ele mais falava.

4. Como foi a aceitação de fazer o tratamento, ele resistiu muito?

Tudo lhe foi comunicado, ele estava a par de tudo o que acontecia no Instituto e na Paróquia: eleição do novo superior, festa dos padroeiros, homenagens, inclusive as suas internações e operação; ele nada dizia... Já que também com um tempo foi deixando de conseguir falar, porém, segundo o médico que o acompanhava, Dr. Sílvio Frota, ele estava ciente de tudo. Seu silêncio parecia-me uma forma comprovada de dizer, literalmente: “Se tem que ser feito”... De início e de uma forma surpreendente, ele bem correspondia aos medicamentos e tratamentos, somente bem antes de sua morte que foi se agravando o estado físico.

5. Que palavras lhe marcam até hoje?

“Eu amo vocês”, “vocês são fundadores de ordem”, “É Deus quem chama. (...) Nem a morte pode destruir a nossa consagração”... Ele era todo assim: de Deus... Palavra nos lábios, porém sua vida, suas atitudes, falavam mais alto.

6. Que ambiente lhe faz lembrar de maneira mais forte o Pe. Caetano?

Na verdade, “ambientes”, pois todo lugar o faz recordar: a Capela do mosteiro, o dois quartos: o que ele morou e principalmente o que ele ficou durante seu tratamento; a biblioteca, o lado de fora da capela onde tomava banho de sol e gostava de rezar olhando pro mar, a igreja Matriz, o Pirambu... Não consigo responder apenas um lugar.

7. Nesta pergunta quero citar uma passagem bíblica. Em Gênesis fala “houve uma tarde e uma manhã e um dia seguinte surge”. Como foi à tarde do dia 31 para a manhã do dia 01?

Na UTI só podia permanecer uma pessoa com o Padre. Como já existia uma pessoa ajudando a cuidar dele, o Francisco, e uma escala mensal entre os irmãos da Nova Jerusalém, então quem iria era o Francisco sem a necessidade de um irmão “dormir” na UTI, porém, ele pediu para trocar comigo, pois precisou sair. A Irmã Juliana foi quem me comunicou minha ida. O Irmão Marcelo já havia passado a tarde com o Padre. À noite, o Irmão Jackson foi me deixar com a Irmã Juliana para pegar o Irmão Marcelo para que ele fosse à missa na Matriz. 


Quando chegamos, o Irmão Marcelo comentou só com a gente: “Não consigo mais ver o Padre Caetano assim...”. O Luciano, um de seus filhos [adotivos], esteve uma hora com ele. Notamos que ele já respirava com muita dificuldade. (...) 

Antes da meia noite, muito dos irmãos e irmãs me ligaram pra nos desejar Feliz Ano Novo. À meia noite, fui ao banheiro para rezar, pois as enfermeiras entravam e saíam. Agradeci a Deus por mais um ano e pedi perdão pelas nossas falhas. Quando voltei, peguei em sua cabeça e lhe disse chorando: - “Pe. Caetano, nós amamos muito o senhor. O Pirambu te ama... Perdão por não cuidarmos melhor do senhor e pelas falhas que cometemos. Reza pela minha conversão”. Beijei-o e cobri-me com o cobertor, pois me tremia muito de frio. Durante a noite, ele tossia com dificuldade... Meus olhos pesavam muito. De vez em quando eu ia até ele pra ver como estava. Era umas 03h15min do dia 1º de janeiro, uma sexta-feira a qual jamais me esquecerei. Sem menos avisar ele já estava gozando da visão beatífica. Até hoje me pergunto como isso aconteceu. Olhei pro seu rosto e estava pálido, "peguei" em seu coração e não o senti bater. Chamava seu nome, mas nada respondia. Chamei a enfermeira e ela chamou o médico plantonista com a máquina de ressuscitação... trabalho vão, até ela chorava dizendo: “Ai, meu Deus, o Padre tá falecendo!”. O médico me pediu pra ir pra fora. 

Espiritualmente eu estava bem, a minha preocupação era de passar a notícia... Parece que eu estava vendo aquela multidão chorando na igreja, o sino badalando... Eu ligava pra todos, mas ninguém atendia, aí nessa hora o meu desespero aumentou, comecei a chorar bem alto dentro daquela clínica sozinho... Até que a Ir. Juliana me retorna. Também não sei como encontrei força pra lhe passar a notícia. Calmamente eu disse: - “Irmã, bom dia, tudo bem? Olha eu tenho uma notícia não muito boa pra dar pra senhora”. Ela respondeu que eu podia dizer, então eu disse: - “O Pe. Caetano faleceu e eu tô quase passando mal”. Ela pediu pra mim rezar e se acalmar, pois todos já estavam esperando a notícia (o próprio Dr. Sílvio foi bem sincero conosco ao afirmar que, dessa vez o Padre só voltaria pra casa através de um milagre, mas Nosso Senhor não quis aumentar suas dores). Então os irmãos chegaram com o Pe. Helton e foram agilizando os procedimentos funerais. (...) 

Tem uma cena que não me esqueço: como a notícia se espalhou rapidamente... Acompanhamos o carro da funerária e quando esse chegou à altura entre a Marinha e a Av. Dr. Theberge, umas pessoas acenavam em direção ao carro se despedindo do Padre e outras até se benziam com o sinal da cruz. TEMOS MAIS UM SANTO!

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REVISTA CATÓLICA GÊNESIS: Padre Caetano nos veio em silêncio e nos deixou em silêncio. Fortaleza, jan. 2010.

Observação: texto em tom coloquial.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Frases célebres de Padre Caetano sobre a RCC

Olá, amigos! Neste ano em que a Renovação Carismática Católica (RCC) celebra seu jubileu de ouro no mundo, achamos por bem expor alguns recortes do pensamento desse homem que tanto se envolveu com o movimento ao qual ele mesmo denominou "espiritualidade do Ressuscitado" e da "Igreja Viva". Em seguida, algumas palavras de Maria Emmir Nogueira, co-fundadora da Comunidade Católica Shalom. 




1. "A RCC trouxe Jesus Cristo de volta do céu para a terra. Jesus Cristo somos nós, cheios do poder, da força e da palavra dele".


2. "A Renovação não é 'Novidade', mas 'Renovação', isto é redescoberta de valores antigos esquecidos".                        


3. "Temos condição de contar com esse povo [da RCC] que sonha para construir um mundo novo”.

                    
4. "Para muitos, a RCC foi uma verdadeira conversão e uma descoberta de Deus e do Evangelho. Para mim, isto é o fruto mais evidente da RCC".   
                     
5. "A Renovação é muito importante, mas para que não seja apenas “fogo de palha”, precisa ter um alicerce mais profundo, e esse alicerce, para mim, é a Palavra de Deus".                        

6. "A maior riqueza da RCC é a certeza da presença de Jesus em nosso meio".


7. "Aqui (Bairro Cristo Redentor) milagres e proezas aconteciam todos os dias. Literalmente, cegos viam e coxos andavam". (Maria Emmir Oquendo Nogueira, cofundadora da Comunidade Católica Shalom).


8. "Quem queria ver prodígios, milagres, o poder de Deus, bastava ir ao Pirambu [hoje Cristo Redentor]. Lá o Senhor começou a derramar seus dons de maneira prodigiosa". (Maria Emmir Nogueira)